Mostrar mensagens com a etiqueta hein?. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta hein?. Mostrar todas as mensagens

27.6.07

Palavras-chave: inquérito, inspecção automóvel, expectoração (leia-se ixpectoração, p.f.).

Não gosto de entrar na paranóia generalizada sobre os EUA, particularmente na sua política externa, sistemas anti-mísseis, guerra no Iraque, Afeganistão, os media vergonhosos, McDonald's e multinacionais afins, nem em questões internas como o sistema prisional que acreditam tudo resolver, sheriffs implacáveis, cowboys arrogantes, cascavéis no deserto, Mustangs a percorrer a Route 66 e a NBA. Sendo estes dois últimos elementos as coisas boas que gostava de experimentar. Ah, e conseguiram também produzir os Beastie Boys e LCD Soundsystem.

Tenho para apresentar uma notícia razoável que me acalmou as ânsias de um dia que:

1- já me levou à inspecção com o carro tendo esperado ao lado de um homem dentro de um traumatizante Renault Super 5 azul-bebé-já-muito-desgastado que escarrava cá para fora ao mesmo ritmo da bateria dos Clap Your Hands Say Yeah superando o volume dos mesmos.

2-me levou a um balcão da Segurança Social à hora do almoço, privando-me do mesmo, para ouvir a resposta de que afinal não posso resolver aquele assunto naquela Segurança Social mas na da Loja do Cidadão.

3-estas histórias me deram tanto sistema nervoso que estou com uma dor de cabeça que nem posso.

Mas voltando aos EUA e assim deixando para trás o dia que me esgotou, ganhei algum alento ilustrado na malta nova desse país . E pelo que se vê, começam bem. Parabéns pessoal.

24.6.07

E quem bate palmas...sou eu.

"Un juez de Gerona prohíbe la salida del país a una niña gambiana para evitar que le amputen el clítoris.
El padre de la menor fue quien presentó la denuncia"


O retrato de um problema que põe em confronto directo concepções (ocidentais) de direitos humanos e o exercício de práticas agressivas e, no meu ponto de vista, intoleráveis, de algumas culturas constitui (uma e outra vez) um chamariz para o rufar de tambores à volta de uma temática que não é nova e que incorpora em larga medida o conceito e interpretação de relativismo cultural. Tendo em conta posts magníficos sobre este assunto(e um em particular) que por aqui circulavam há já muito, muito tempo, não me sinto com autoridade de tecer descrições teóricas sobre o mesmo. Posso, no entanto, afirmar que não posso deixar de me sentir radiante por esta decisão do tribunal de Gerona pelas seguintes razões:

num momento primeiro, o catalisador, inesperado, constituído pelo facto de ter sido o pai da criança a apresentar a queixa. Não estou de modo algum a demonizar a mãe ou atribuir ao pai o epíteto de herói, mas é pisando os mesmo terrenos várias vezes que surgem caminhos, e este senhor merece vénias. Do (creio eu) fortíssimo conflito identitário entre marido, pai, e ser humano, saíram vencedores os últimos dois. E todos/as nós também. Se bem que por um lado está uma tradição cultural profundamente enraizada e muito difícil de combater, a antítese surgiu, talvez, por onde menos se esperava. Fico então muito feliz, sim, como homem e como ser humano.

Depois, em segundo lugar, bem, enquanto que por aqui se tomam decisões desta monta, em Espanha (que me perdoem aqueles nacionalistas à antiga que detestam os do lado de lá), que é um país que admiro, e muito, tomam-se decisões destas, sérias, responsáveis e competentes. Faço minhas as palavras do outro, levámos outra vez um banho.